2013 - OUVINDO PELA PRIMEIRA VEZ

 

Ouvindo Pela Primeira Vez

Qual a sensação de ouvir um som pela primeira vez, após vinte ou trinta anos sem ouvir nada?

 

Qual a sensação de escutar a voz da própria mãe para um bebezinho, deficiente auditivo, com alguns meses de idade?

A ciência dos dias de hoje tem conseguido dar este presente a muitas pessoas, através de seus avanços cada vez mais fabulosos.

Os chamados “Implantes cocleares” possibilitam sensações auditivas muito próximas às fisiológicas e cada vez mais se multiplicam pelo mundo, proporcionando a muitos a possibilidade de ouvir pela primeira vez nesta vida.

O implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta tecnologia, também conhecido como “ouvido biônico”, que estimula eletricamente as fibras nervosas remanescentes, permitindo a transmissão do sinal elétrico para o nervo auditivo, a fim de ser decodificado pelo córtex cerebral.

Os primeiros testes após a interferência cirúrgica são feitos através de computadores e aparelhos específicos, que buscam regular, entre diversos fatores, o volume e sensibilidade do dispositivo para o paciente implantado.

O interessante é que muitos pacientes e seus parentes tem registrado em vídeo estes testes iniciais, mostrando as reações das pessoas ao “ouvirem” um som qualquer pela primeira vez.

As expressões são emocionantes.

O sorriso e a reação dos bebês é das coisas mais lindas que se possa imaginar, quando ouvem a doce voz de suas mãezinhas como o primeiro som registrado na vida.

O brilho nos olhos e o choro compulsivo dos jovens e adultos é algo indescritível e inesquecível. São imagens e relatos que purificam os ares digitais, ainda tão poluídos com tanto lixo e tanta inutilidade.

Só aquelas pessoas sabem realmente o que é sair do silêncio, o que é deixar as limitações de um mundo - ainda pouco preparado para entendê-los e aceitá-los - e encontrar uma nova realidade, a realidade dos sons, da música, da voz, do “ouvir”.

Muitas adaptações e novos aprendizados precisam ser feitos. Para muitos significa ter que aprender a falar também, pois até esta função estava subdesenvolvida pelo fato de não poderem contar com a audição. Precisam conhecer o som de sua própria voz, aceitá-la e desenvolve-la nos próximos meses e anos.

É como que um “despertar para uma realidade nova” – como encontramos no relato de um desses muitos abençoados com tal conquista tecnológica. É ganhar um novo sentido, com o qual nunca se pode contar antes.

Abre-se um novo horizonte de possibilidades e de belezas sem fim.

**

Quando deixamos o silêncio da vida materialista e finalmente encontramos os sons da vida espiritual, dá-se conosco algo maravilhoso também.

Quando o ser se descobre imortal, quando entende e sente, finalmente, que sua parte “Espírito” nunca perecerá, descortina-se uma nova realidade, de possibilidades e belezas infinitas.

Os valores mudam. Tudo que consideramos importante é reavaliado. Refletimos sobre nossos objetivos aqui, sobre quem somos e se não podemos e devemos ser “mais”.

Entender a vida do Espírito e a relação que temos, incessante e pulsante, com o mundo espiritual, é como que sair de um silêncio milenar e começar a ouvir.

Ouvimos e entendemos as Leis de Deus e sua imensa amorosidade.

Ouvimos a reencarnação e as novas chances e explicações, que só ela consegue nos dar.

Ouvimos os sons da natureza de forma mais simples, mais sensível, encontrando belezas que sempre estiveram ao nosso lado, mas que antes éramos incapazes de perceber.

Ouvimos a voz dos amados que já se foram daqui e dos que ainda chegarão.

Ouvimos as melodias elaboradas e profundas do amor, como nunca antes fomos capazes de ouvir.

Ouvimos a voz de nosso próximo de forma diferente, não mais como uma ameaça ou mesmo um estranho, mas agora como um irmão, trilhando o mesmo caminho, a mesma jornada.

Ouvimos nossa própria voz, aceitando-a como é num primeiro instante, buscando o autoconhecimento – chave para o progresso moral do Espirito - para só então depois poder burilar a fala, embelezando nosso timbre através de inúmeras experiências no bem.

Ganhamos um novo sentido quando nos aceitamos e nos entendemos como “Espíritos”.

Sentido de “sentir” algo a mais – antes não percebido. Sentido de “objetivo”, de motivação, de força para prosseguir em meio aos desafios constantes da encarnação necessária e bendita.

Convido você a fazer este exercício saudável: assista um desses vídeos entregando-se à emoção daquelas pessoas. Imaginando um pouco como se sentem. Depois, faça essa reflexão, de como seria “ouvir” pela primeira vez a voz da vida verdadeira, da vida do Espírito imortal.

Nada será igual, assim como não foi para cada uma daquelas pessoas, tenha certeza.

Seu sorriso não será o mesmo.

Suas lágrimas não serão as mesmas.

Haverá um “sentido” a mais em tudo.

Você estará “ouvindo” pela primeira vez...

A.C. 28.5.13





(6) Comentários
  • Malena 28.05.2013 às 14:46:21

    Belíssimo, Andrey. Está saindo no jornal de junho, que se encontra na gráfica. malena
  • Ivan 28.05.2013 às 14:46:21

    Maravilhoso!!!! É de ouvir sua própria voz, porque o princípio básico é de amar a si próprio.
  • Elizabeth de Moraes 29.05.2013 às 14:46:21

    É como ouvir as cores...como acontece com muitas pessoas.......radiante! Acho que tenho palavras terrenas para descrever.
  • Rose 29.05.2013 às 14:46:21

    Quanta sensibilidade ao abordar e desenvolver este tema! Muito Lindo!
  • Vera Lúcia de A. S. Ferronato 29.05.2013 às 14:46:21

    Esse texto me fez entender que é surpreendente como o ouvir da vida espiritual pode recuperar a "surdez" do ouvinte da vida material sem precisar lançar mão de toda a parafernália da conquista tecnológica.
  • Sueli Müller 31.05.2013 às 14:46:21

    Você foi providencial com este texto. Justamente hoje, por diversos motivos, eu precisava (ouvir) ler isto. Obrigada!
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