1999 - Oceano e Falésia

 

 

Uma costa imponente atrai meu olhar
Escultura rochosa do acaso do mar...

Meus olhos não refletem o sol...
Hoje sou, de luz, ausência, guardada nos porões de meu próprio castelo, segura na incerta escuridão...

O Silêncio mata-me aos poucos, falando alto nas sombras do sol.
Se o espírito, lar dos sentimentos, pudesse morrer, assim seria seu perecimento...

Giram ao meu redor, em ruído calado, neblinas de um pretérito turvo, incompleto. Desenham a forma cilíndrica que aprisiona o corpo desta chama enfraquecida.
Meus olhos não conseguem se fechar...

Como se as imagens não fossem geradas pelo exterior inofensivo...
Como se nascessem de um lugar do qual nunca conseguiria fugir...

Meus olhos não refletem o sol...
Não são mais as luas, que luzentes guiavam meu amor por estas terras...

Não mais possuem cor e lágrima - perderam-se num horizonte invisível de pesar...
Porém, por alguma razão misteriosa sobrevivo...

O olhar ainda pode divisar uma porção de oceano.
O esperar ainda vê um pouco de esperança... Será?...

Quem sabe seja o mar, as rochas, e este eterno e magnífico combate que travam, no campo de visão de minha torre.
Por alguma razão misteriosa sobrevivo...

Alguém, algo... parece ainda crer em minhas forças...
Quem sois? Sois a voz do pélago, ou os braços da falésia?

Por vós prossigo minha caminhada...
Por vós... criador do mar e da costa, prossigo minha caminhada...

Hoje ainda há pouco de sonho em meu verbo
Mas amanhã... por vós... quem sabe...

 

**Poema integrante do livro "No Castelo do Espírito", de Andrey Cechelero**

 





(0) Comentários
Nenhum comentário disponível.
Nome: *
E-mail: *
Mensagem: *

*Campos Obrigatórios

destaques

  •  

    15 ANOS DE CARREIRA DE ANDREY CECHELERO

  •  

    Uma seleção de músicas com imagens belíssimas

  •  

    Primeiro livro de Andrey Cechelero - poemas